Breve História da Ribeira do Marchante - Tomo V
O Rio Coina sempre foi um elemento natural importante no desenvolvimento das comunidades locais. Num passado mais distante era um rio navegável que promoveu atividades económicas.
No seu leito navegavam diariamente entre Coina e Lisboa, barcos carregados de produtos hortícolas, pescado e vinhos regionais. E numa época em que poucas estradas haviam ou eram perigosas, era uma excelente via de acesso à Arrábida e às propriedades dos nobres e burgueses.
Consta que o rio servia também à Rainha D. Constança, esposa de D. Pedro I no transporte de barco para a sua residência em Azeitão.
Nas margens desenvolveram-se industrias relevantes, como a construção naval (daqui saíram naus e caravelas para os Descobrimentos), a industria vidreira (que se deslocou para a Marinha Grande, após o Terramoto de 1755), a cerâmica (vestígios de algumas fábricas ainda despertam a curiosidade), a panificação (aqui se encontravam as principais fábricas de biscoitos, um dos alimentos preferências dos marinheiros)...
Depois desse apogeu, seguiu-se o declínio da atividade humana.
Há umas décadas atrás, a Fonte de Negreiros ainda recebia muitos visitantes em busca da boa água que corria das bicas e aos fins de semana enchiam-se os campos de piqueniques em família à sombra de frondosas árvores.
Anunciava-se assim a sua nova vocação - é hoje sustento do Corredor Ecológico, "pulmão" da Quinta do Conde, reserva da biodiversidade, da fauna e flora autóctone.
Se não a preservarmos, entre outras perdas irreparáveis, as gerações futuras só conhecerão a génese da nossa terra por registos fotográficos, sem o som dos pássaros, sem o cheiro dos prados, dos carvalhais e pinheirais.

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