Breve História da Ribeira do Marchante - Tomo III


A Várzea da Quinta do Conde retomou há poucos anos a sua vocação agrícola, é constituída por terreno fértil e aí encontramos diversas hortas cuidadas de forma sustentável por residentes na Quinta do Conde. 

Essa vocação foi interrompida em meados do Século XX. "A vinha, pomares foram algumas das últimas culturas conhecidas na várzea. De acordo com os testemunhos orais e os registos escritos, era o arroz que mais se cultivava na área. Uma opção normal, considerando as características dos terrenos que circundavam a Ribeira..." 

Mas o cultivo do arroz foi movido de controvérsia durante muitos anos. Habia à época, várias disposições legais a condicionar a instalação de arrozais sobretudo em terrenos novos, que os sujeitavam a uma vistoria de modo a prevenir riscos para a saúde pública. 

"Apesar destas regras, em vigor desde 1855, pode ler-se numa edição da Gazeta Setubalense de 1877 uma curiosa "representação" dos habitantes das aldeias de Irmãos, Oleiros e Vila Nogueira, ao Governador Civil, através da qual se insurgem contra a preparação de terrenos para a cultura do arroz na Ribeira do Marchante". 

Iniciativa popular que se deveu à preocupação com os malefícios para a saúde e os focos de infeção paludosa provocada pelas picadas dos mosquitos, dada a proximidade das suas "habitações que estavam na direção dos ventos reinantes, na época em que mais perniciosos eram os efeitos daqueles pântanos artificiais"...

Em consequência de tão fortes argumentos e porque as picadas dos insetos incomodavam efetivamente os viajantes, a única medida conhecida foi a mudança de traçado da estrada que liga Azeitão a Coina. Antes passava pelo Vale Florete, a nascente da Ribeira e depois passou para poente e a passar na Quinta do Conde...

De volta à Ribeira do Marchante, já sem arrozais, será talvez justo refletir sobre a intervenção dos habitantes da época. A defesa do ambinte precisa de gente assim."😊

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